Dente do siso: quando é preciso extrair e quando não é

Observação da zona posterior da boca com espelho dentário, onde nascem os dentes do siso

Os dentes do siso são os últimos a nascer, geralmente no fim da adolescência ou no início da vida adulta. São também os que geram mais dúvidas, e existe a ideia difundida de que têm todos de sair.

Não é assim. Há dentes do siso que nascem bem posicionados, que cumprem a sua função e que não justificam qualquer intervenção. O que determina a decisão é a posição, o espaço disponível e o efeito que têm no resto da boca.

Porque é que causam problemas com tanta frequência

São os últimos a chegar e, na maioria das pessoas, chegam a um espaço que já não os comporta. Quando não há espaço suficiente, ficam parcialmente cobertos pela gengiva, nascem inclinados ou ficam retidos dentro do osso.

É dessa falta de espaço que nascem as complicações mais comuns.

Quando a extração é indicada

  • Inflamação recorrente da gengiva sobre o dente: Quando o dente nasce só em parte, fica uma prega de gengiva por cima onde se acumulam bactérias. Essa zona inflama com facilidade e tende a repetir-se.
  • Cárie no siso ou no dente da frente: Um siso inclinado cria um espaço impossível de higienizar entre ele e o molar seguinte. É frequente perder-se um dente saudável por causa de um siso que ninguém tratou.
  • Pressão sobre os dentes vizinhos: Quando empurra a dentição existente e altera a posição dos outros dentes.
  • Quistos ou alterações visíveis na radiografia: Um dente retido pode dar origem a lesões no osso à volta, muitas vezes sem qualquer sintoma.
  • Sem dente antagonista: Se não existe um dente correspondente na arcada oposta, o siso tende a sair da sua posição ao longo do tempo e a interferir na mordida.
  • Antes de um tratamento ortodôntico: Em alguns planos, a extração é indicada para criar espaço ou para proteger o resultado.
  • Higiene impossível de manter: Quando o dente está numa posição que a escova não alcança de forma eficaz.

Quando não é preciso extrair

Esta parte é tão importante como a anterior. Não há indicação para extrair quando:

  • O dente nasceu por completo e numa posição correta.
  • Tem espaço suficiente e não empurra os dentes vizinhos.
  • É possível higienizá-lo com a escova e o fio como a qualquer outro dente.
  • Está em função, ou seja, participa na mastigação com o dente correspondente.
  • Não existem sinais de inflamação nem alterações na radiografia.

Um dente do siso saudável e bem posicionado é um dente como os outros. Pode até vir a ser útil mais tarde, como apoio de uma reabilitação.

Como se avalia

A avaliação passa sempre por radiografia. É ela que mostra a posição real do dente, a inclinação, a relação com os dentes vizinhos e a proximidade a estruturas anatómicas importantes, como o nervo que percorre a mandíbula.

Essa informação é indispensável e é o que permite planear a intervenção com segurança, ou concluir que não é necessária. Nas nossas clínicas a radiografia é feita no local, o que permite ter a avaliação completa na mesma consulta.

Como é a extração

O procedimento é feito com anestesia local e a complexidade varia bastante. Um siso que já nasceu por completo remove-se com relativa simplicidade. Um dente retido no osso exige um procedimento mais elaborado, com acesso cirúrgico e, por vezes, divisão do dente para facilitar a remoção.

Em qualquer dos casos, a zona é anestesiada e o procedimento é bem tolerado. Explicamos previamente o que vai acontecer, porque saber o que esperar reduz bastante a apreensão.

A recuperação, dia a dia

  • Primeiras 24 horas: É a fase de maior inchaço e desconforto. Aplicar frio pelo lado de fora da face em períodos curtos ajuda bastante. Repouso relativo e evitar esforço físico.
  • Segundo e terceiro dia: O inchaço atinge geralmente o ponto máximo e começa a ceder. Pode existir alguma dificuldade em abrir a boca por completo, o que é esperado e temporário.
  • A partir do quarto dia: A melhoria costuma ser progressiva e clara. Retoma-se gradualmente a alimentação e a rotina.
  • Uma semana depois: A maioria das pessoas está confortável. Se existirem pontos, é habitualmente a altura de os remover.

Estes prazos são indicativos e variam com a complexidade do caso e com cada pessoa.

Cuidados nos primeiros dias

  • Morder a gaze durante o tempo indicado, para ajudar à formação do coágulo.
  • Não bochechar com força nas primeiras 24 horas, para não deslocar o coágulo.
  • Preferir alimentos macios e frios ou mornos, nunca quentes.
  • Não usar palhinha, porque a sucção pode deslocar o coágulo.
  • Não fumar, que é dos fatores que mais atrasa a cicatrização.
  • Evitar esforço físico intenso nos primeiros dias.
  • Dormir com a cabeça ligeiramente elevada.
  • Manter a higiene do resto da boca, com cuidado na zona intervencionada.
  • Cumprir a medicação exatamente como foi indicada.

Sinais que justificam contacto

  • Desconforto que aumenta a partir do terceiro dia em vez de diminuir.
  • Inchaço que se agrava depois do terceiro dia.
  • Sangramento que não para com compressão.
  • Febre.
  • Dificuldade crescente em abrir a boca ou em engolir.
  • Sabor persistente e desagradável na zona.

Não decida sozinho, mas também não adie a avaliação

A decisão sobre um dente do siso não se toma a partir de uma opinião geral, nem a partir do que aconteceu a um familiar. Toma-se com uma radiografia e com observação clínica.

Vale a pena avaliar mesmo sem qualquer queixa, sobretudo no fim da adolescência e no início da idade adulta. Muitas das complicações instalam-se em silêncio, e uma avaliação atempada evita uma intervenção mais complexa mais tarde.

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